Columna de opinión

Agosto 17, 2009

Caro voluntário,
Vou lhe contar uma história sobre o Tempo. Não se preocupe, serei breve!
Certa vez estive no Peru. Não faz muito tempo…
Entre dias e dias de viagem, milhares de passeios por ruínas de civilizações anteriores a nossa. Desde Tihuanaco até o império Inca, que pereceu após a chegada dos espanhóis. Os europeus dizimaram índios de ponta a ponta do nosso continente e acabaram por impor um modelo de civilização que conhecemos até hoje!

Toda a forma como pensamos e enxergamos o mundo hoje tem suas raízes nos povos europeus que influenciaram quase todos os cantos do planeta. Em especial as Américas.
Mas voltando à minha viagem…

Em uma das cidades que visitei, Ollantaytambo, tive uma epifania. Um daqueles momentos de grande aprendizado, grande iluminação, em questão de segundos. Observava um santuário Inca de uma cidade que, ainda hoje, permanece usando algumas estruturas construídas antes da chegada dos europeus. Os aquedutos, por exemplo…

Esse santuário ficava no alto de um morro e atrás dele havia um vale de tirar o fôlego! O guia explicava que o santuário estava inacabado por causa da invasão dos espanhóis (sempre eles!). Apontava as evidências de que ainda faltavam pedras a serem colocadas no santuário.
Aliás, sugiro que você pesquise um pouco sobre a engenharia dos Incas. Eles eram capazes de construir um muro com pedras gigantescas se encaixando como um enorme quebra-cabeças! Não usavam nada como cimento. Só encaixe! E, acredite ou não, essas obras estão em pé até hoje. Resistindo ao tempo e aos fenômenos da natureza como terremotos, típicos no Peru. Nem mesmo as construções atuais são tão resistentes!

E lá estava eu admirando o tal santuário. Impressionado, boquiaberto, admirado!
O guia mostrou o grande vale atrás do santuário e apontou a pedraria de onde os incas retiravam as pedras para construir não apenas aquele espaço, mas toda a cidade ao redor de onde estávamos. No meio do caminho, entre o santuário e a pedraria, havia um gigantesco bloco de pedra. Arrastado e largado ali.

Sim…Drummond que me perdoe, mas no meio do caminho havia uma pedra!
Não um simples bloco de pedra, um bloco de uns 3m x 3m x 3m! Pesado como o inferno! Cortado como se fosse um dado! E o primeiro espanto é pensar como, no século XV, eles eram capazes de ser tão precisos no corte de uma pedra!

E lá continuei eu. Mirando a pedra distante e ouvindo o guia. Imaginando o momento da chegada dos espanhóis se houve conflito entre nativos e europeus. Pensando, também, em como ‘raios’ os tais incas poderiam subir morro acima com um troço daqueles sem guindastes, caminhões, helicópteros ou qualquer coisa que o valha…
O guia explicava que eles eram capazes de demorar dias, semanas, meses, anos, décadas construindo aquele santuário. Gerações indo e vindo com o objetivo de terminar de construir aquele espaço sagrado…

Foi quando ele proferiu a frase que estalou na minha cabeça: “Um homem daquele tempo era capaz de passar uma vida toda construindo algo que certamente não veria acabado. A noção de tempo deles era diferente da nossa…”

Uau! Vai ser bem resolvido com o Tempo assim lá no Peru!
Depois disso, não consegui parar de pensar em como lidamos com o Tempo hoje em dia. Sim, Tempo com T maiúsculo. Esse mesmo versado por Caetano, filosofado por Heiddeger ou fabulado pelos gregos…

Nos tempos modernos de hoje, lidamos com o Tempo como se ele fosse uma ampulheta das nossas vidas individuais. Uma fina areia que corre e cai de um bulbo de vidro para outro. Cada grãozinho representa uma meta a ser cumprida, um dia a ser vivido, um ano a ser completo. Ou, no bulbo de baixo, uma memória marcante, uma cicatriz incurável, um dia inesquecível…

E dessa forma vivemos todos os dias. Sem pensar que essa forma de ver o mundo é como o ar que respiramos. Está lá, respiramos, mas nunca filosofamos sobre ele…Não é algo visível, palpável.

Entre outras coisas, essa epifania me fez pensar em nosso trabalho voluntário. Trabalho duro! É o dinheiro a ser arrecadado. Favelas a serem visitadas. Coletas e construções agendadas no calendário. Nesse final de semana de construção, pilotis a serem fixados. Pregos fincados na madeira e telhado pronto para uma família ter uma casa, uma vida melhor. Trabalhamos com metas e é normal que seja assim! “Começou, não pára!”, como diria o outro…
E, no horizonte, uma meta difícil de digerir. É Brasil que não acaba mais! Favela atrás de favela. Barracos morro acima e famílias desabrigadas água abaixo…  Assim fica difícil mesmo! Pensar em quanto trabalho teremos pela frente… Mas queria nos dar uma sugestão: Que tal se começássemos a enxergar nosso trabalho como os incas enxergavam aquele santuário sagrado? Que tal se pensássemos no Tempo de uma forma que fosse mais fácil de digerir nossas metas?

Assim como eles pensavam bloco de pedra por bloco de pedra, que tal pensarmos casa a casa, família a família?

Imagine um homem carregando nos ombros um bloco de pedra morro acima pensando que jamais chegaria a desfrutar daquele santuário. Que talvez nem os filhos ou os netos poderiam realizar uma cerimônia religiosa por ali…
Agora imagine que mesmo assim as pedras foram recortadas e levadas até lá! Pedra a pedra! E todas elas se encaixando.

E aquele santuário de Ollantaytambo não foi o único! Há construções como aquela espalhadas por todo o Peru, pelo Chile, pela Bolívia…
Que tal vermos o nosso trabalho como fundamental para as gerações futuras? Que tal tirarmos um pouco do peso de ‘resolver o problema do Brasil’ e pensarmos no Tempo como algo contínuo, que não está cerrado dentro de bulbos de vidro ou marcado pelas batidas de nossos corações?

Para mim funcionou. Deu um alívio!
O problema das favelas no Brasil e na América Latina não é um problema individual, um problema meu. É um problema compartilhado! É nosso!
Continuo trabalhando. Continuo a ter metas, mas faço questão de dividir esse trabalho com meus contemporâneos e com as gerações que estão por vir.
Talvez seja esse o segredo dos Incas. Suas construções, de tão sólidas, resistiram ao Tempo como poucas na História…

Um abraço e boa construção!

Mellinho
Felipe Mello
Voluntario de Formación y Voluntariado
Um teto para meu Pais

mellinho

Texto en español

Estimado voluntario,
Voy a contarte una historia acerca del Tiempo. No te preocupes, ¡seré breve!
Hace poco estuve en Perú…

Entre días y días de viaje, miles de paseos por ruinas de civilizaciones anteriores a la nuestra. Desde Tihuanaco hasta el imperio Inca, que nació después de la llegada de los españoles. Los europeos mataron a muchos indios por todo nuestro continente y acabaron imponiendo un modelo de civilización presente hasta hoy día.
Nuestra forma de pensar y de ver el mundo tiene sus raíces en los pueblos europeos que influyeron casi todos los rincones de nuestro planeta. Sobre todo las Américas.
Pero volvamos a mi viaje…

En una de las ciudades que visité, Ollantaytambo, viví una epifanía. Un momento de gran aprendizaje, gran iluminación, en cuestión de segundos. Observaba un santuario Inca de una ciudad que, hasta hoy día, sigue utilizando algunas de las estructuras construidas antes de la llegada de los europeos. Los acueductos, por ejemplo…
Dicho santuario estaba situado en el alto de un monte y detrás quedaba un valle, ¡de quitar el aliento! El guía nos explicaba que el santuario estaba inacabado por la invasión de los españoles (¡siempre por ellos!). Subrayaba la evidencia de que todavía faltaban piedras por poner en el santuario.

Por cierto, sugiero que busques información sobre la ingeniería de los Incas. Eran capaces de construir una pared con piedras gigantescas, ¡encajándose como un puzzle enorme! No utilizaban cemento. Sólo encaje. Y me creas o no, esas obras siguen de pie hoy día. Resistiendo al Tiempo y a fenómenos naturales como los sismos, frecuentes en Perú. ¡Ni siquiera las construcciones actuales son tan resistentes!
Y allá estaba yo, admirando dicho santuario. ¡Impresionado, boquiabierto, admirado!
El guía nos enseñó el gran valle detrás del santuario y señaló la pedrería de donde los Incas quitaban las piedras para construir no sólo ese espacio, sino toda la ciudad alrededor. A mitad del camino, entre el santuario y la pedrería, estaba un bloque de piedra gigante. Arrastrado y abandonado allí.

Sí. Que me perdone Drummond , ¡pero a mitad del camino había una piedra!
No era un simple bloque de piedra, sino un bloque de 3×3x3m. ¡Pesadísimo! ¡Cortado como si fuera un dado! Y el primer espanto es pensar cómo, en el siglo XV, eran capaces de ser tan precisos en el corte de una piedra.
Y yo seguí mirando la piedra distante y escuchando al guía. Imaginando el momento de la llegada de los españoles, el conflicto entre nativos y europeos. Preguntándome también cómo los Incas podían subir esas piedras por un monte sin grúas, camiones, helicópteros o algo por el estilo…

El guía explicaba que los Incas tardaron días, semanas, meses, años, décadas en construir aquel santuario. Generaciones yendo y viniendo con el único objetivo de terminar de construir aquel espacio sagrado…

Fue cuando pronunció la frase que estalló en mi cabeza : “Un hombre de aquellos tiempos podía pasar toda su vida construyendo algo que seguramente no vería terminado. La noción que tenían del tiempo era distinta de la nuestra…”
Después de eso no logré parar de pensar en nuestra forma de lidiar con el Tiempo. Sí, Tiempo con T mayúscula. Esa misma T versada por Caetano, filosofada por Heiddeger o fabulada por los griegos…

Hoy en día, en los tiempos modernos, lidiamos con el Tiempo como si fuera el reloj de arena de nuestras vidas. Una arena fina que corre y pasa de un bulbo de vidrio a otro. Cada granito representa una meta, un día que vivir, un año que completar. O, en el bulbo de abajo, un recuerdo importante, una cicatriz incurable, un día inolvidable…
Así vivimos a diario. Sin pensar que esa manera de ver el mundo es como el aire que respiramos. Está ahí, respiramos, pero nunca filosofamos sobre ello… No es algo visible, palpable.

Entre otras cosas, esa epifanía me hizo pensar en nuestro trabajo voluntario. ¡Un trabajo duro! Es el dinero que hay que recaudar. Los campamentos que hay que visitar. Colectas y construcciones previstas en el calendario. Durante ese fin de semana de construcción, hay que fijar los palos. Clavos en la madera y techo listo para que una familia tenga una casa, una vida mejor. Trabajamos con metas, ¡y es normal que así sea! “Empezaste, ¡no pares!”, como diría otro…

Y en el horizonte, una meta difícil para digerir. ¡Brasil no acaba nunca! Asentamientos (favelas) tras asentamientos. Chabolas en los montes y familias sin abrigo bajo el agua… ¡Así no es nada fácil! Pensar en la cantidad de trabajo que queda por hacer… Pero quisiera proponer algo : ¿Y si empezáramos a ver nuestro trabajo de la misma manera que los Incas veían aquel santuario sagrado? ¿Y si pensáramos en el Tiempo de tal forma que fuera más fácil digerir nuestras metas?

Al igual que ellos pensaban, bloque de piedra por bloque de piedra, ¿qué les parece si pensamos casa por casa, familia por familia?
Imagínese a un hombre subiendo un monte cargando en los hombros un bloque de piedra y pensado que jamás llegaría a disfrutar de aquel santuario. Pensando que quizás ni sus hijos o nietos podrían realizar una ceremonia religiosa allí…

Ahora imagínese que aún así las piedras fueron recortadas y llevadas hasta allí. ¡Piedra por piedra! Y todas ellas encajándose.

¡Y aquel santuario de Ollantaytambo no fue el único! Hay construcciones como aquella por todo Perú, Chile, Bolivia…

¿Y si viéramos nuestro trabajo como algo esencial para las futuras generaciones? ¿Y si nos quitáramos un poco el peso de “solucionar el problema de Brasil” y pensáramos en el Tiempo como algo continuo, que no está preso dentro de bulbos de vidrio ni marcado por los latidos de nuestros corazones?

Para mí funcionó. ¡Fue un alivio!
El problema de los asentamientos en Brasil y en América Latina no es un problema individual, un problema mío. ¡Es un problema compartido! ¡Es nuestro!
Sigo trabajando. Sigo teniendo retos, pero me parece fundamental compartir ese trabajo con mis contemporáneos y con las generaciones futuras.
Quizás sea ese el secreto de los Incas. Sus construcciones, al ser tan sólidas, resistieron al Tiempo como pocas en la Historia…

Un abrazo y que construyas bien,
Mellinho
Felipe Mello
Voluntario de FormaciÓn y Voluntariado
Um teto para meu Pais

**Traducción: Mariana Solleiro


La otra cara de la salud

Julio 15, 2009

El sábado 23 de mayo se realizó una jornada de vacunación contra la gripe estacional en los asentamientos Primero de Mayo, Nuevo Buenos Aires y Los Sueños, coordinada por el equipo del Plan de Salud de UTPMP Urugay junto  con la emergencia móvil SEMM. Se vacunaron aproximadamente 360 personas. Con la excusa de esta experiencia, Sebastián Lema, sub director de Habilitación Social de UTPMP Uruguay, reflexiona en la siguiente columna de opinión sobre el actual sistema de salud en Uruguay.

foto columna hs UTPMP Uruguay

“En este país se vive como en el tercer mundo pero se muere como en el primero”. Uruguay es un país que está muy avanzado en la transición epidemiológica, o sea que las muertes por enfermedades transmisibles, como infecciones producidas por parásitos, bacterias o virus, cedieron el primer lugar a las enfermedades no transmisibles, entre las que se destacan las enfermedades cardiovasculares, cáncer y accidentes de tránsito. Esto es un rasgo distintivo de los países desarrollados, “se muere como en el primer mundo”, y es un orgullo que nos destaca del resto de los países de Latinoamérica, por eso es necesario mantener este estatus. Pero la realidad no es tan simple como decir que sólo el 3% de la población muere de enfermedades infecciosas: ¿dónde está ese 3%? Se encuentra en los asentamientos donde las condiciones de saneamiento, agua potable, hacinamiento y vivienda son deplorables.

Cuando los datos del Catastro Nacional de Asentamientos dicen que el 90% de los asentamientos no tiene saneamiento y que el 26% de las familias residentes en asentamientos viven en chapa, cartón y costanero, significa que los niños que viven ahí seguramente van a tener parásitos e infecciones respiratorias. Esto provoca graves trastornos en su desarrollo, asistencia y rendimiento escolar, e implica que conforman la mayoría de las muertes de ese 3%.

La realidad de este país es que hay una población que vive  y muere como en el tercer mundo, y que las actividades de prevención de enfermedades infecciosas, como la vacunación, muchas veces no llegan a cubrir este sector de la población. Un Techo para mi País debe aprovechar estas políticas de prevención y extenderlas hacia las zonas más carenciadas para cumplir con el sentido de universalidad de la salud.

Sebastián Lema
Sub director de Habilitación Social
UTPMP Uruguay


El Sistema de Salud

Noviembre 18, 2008

Estaba jugando fútbol en la UCA. Empezó el partido a las dos y media; era el segundo 45 cuando tiraron un centro desde la banda derecha, me tiré e hice lo posible por evitar que la pelota llegara a pies del contrario, lo conseguí pero caí mal y en ese instante sabía que algo andaba mal. Me dolía muchísimo el hombro izquierdo, Carlitos y la Pepesca me llevaron a la clínica de la universidad, donde me dijeron con toda seguridad que se me había dislocado el hombro y que me fuera al hospital más cercano. Me llegó a traer mi hermano, nos fuimos al Hospital General del ISSS. Y es en ese momento que comienza la historia…

Llegué a la sala de emergencia del hospital aproximadamente a las tres de la tarde (ya llevaba media hora con el hombro dislocado), le dijimos a la señora encargada lo que me había pasado y nos dio un papel y nos dijo: “Esperen sentados hasta que los llamen”. Pensaba, en mi ingenuidad, que si traía el hombro dislocado era algo que debería ser tratado rápidamente… estuve esperando alrededor de quince minutos (ya llevaba 45 minutos con el hombro dislocado) y tuve suerte porque un médico me vio con tacos, camisa de fútbol y algo adolorido y me llamó, porque si no hubiera esperado más. Me vio el hombro por no más de 30 segundos e inmediatamente me dio otro papelito para que fuera a sacarme una radiografía… esperé otros quince minutos más (ya llevaba una hora y el dolor se hacía más intenso) para que me hicieran la radiografía. Estaba indignado y miraba a la Pepesca con ironía por lo desatento e ineficaz que era el ISSS en una emergencia (tomando en cuenta que mensualmente el ISSS recibe el 3% del salario del trabajador y el 7.5% del patrono); después de que me la habían hecho esperé alrededor de otros quince minutos (llevaba aproximadamente una hora con veinte minutos y el dolor se acentuaba) para que me dieran la radiografía y poder ir donde el doctor para que me hiciera lo necesario para que el hombro volviera a su lugar.

Lo que me pasó después no va con este texto y en  lo que quisiera que reflexionáramos y analizáramos es en un par de situaciones:

1. ¿Qué hubiera pasado si en vez de que hubiera estado en la UCA hubiera estado construyendo en el caserío El Portezuelo, cantón Ojo de Agua, municipio de Juayúa en el departamento de Sonsonate (muchos ya sabemos qué tanto cuesta ir y venir desde ahí, para los que no: es cerca de 45 minutos llegar al casco urbano del municipio y una media hora más al hospital más cercano)? Posiblemente no hubiera llegado al hospital y me hubiera atendido un “sobador” que quizá me hubiera dañado aún más y ese daño hubiese sido permanente, dejándome el brazo con mucha menos capacidad para ejercer movimiento y fuerza. Ahora imagínense si esto le hubiera pasado a un jefe de hogar de esta comunidad con 5 hijos que alimentar, iletrado y que trabaja sólo en milpa o en la zafra…

2. ¿Qué hubiera pasado si yo en vez de tener el hombro dislocado hubiera tenido el hueso salido (que esto conlleva a una cirugía inmediata)? Claramente esta ineficiencia no es culpa del personal. Probablemente ellos atienden el doble o más del doble de pacientes de los que deberían atender. Pero teniendo en cuenta que el gobierno destina sólo el 1.59% del PIB (¡apenas $53.98 por persona al año!) –datos según el PNUD- para invertir en salud, queda claro que es lo más que se puede esperar. La responsabilidad recae directamente en el estado que debe invertir mucho más en un servicio tan básico para el desarrollo de la población y del país. Reducir gastos grandes e innecesarios, por ejemplo el de la fuerza armada que es casi tres veces más que el presupuesto de  salud, es una medida a analizar.

3. Por suerte yo tengo carné del ISSS pero ¿Qué hubiera pasado si no lo tuviera? Tomando en cuenta que sólo el 17% de la población puede acceder al ISSS (datos según www.isss.gob.sv) quiere decir que hay 4.6 millones de salvadoreños que no acceden a esta institución que, paradójicamente, es mil veces más eficiente, higiénica y tecnológica que cualquier hospital o clínica pública (Bloom, Rosales, Fosalud, etc.). Sin embargo, el ISSS no te da la confianza necesaria de que está haciendo un buen trabajo porque yo todavía me veo el hueso semi-salido…Y si en el ISSS esperé una hora y veinte… ¿cuánto hubiera esperado en el Rosales?

Desgraciadamente las familias más vulnerables y las más pobres son las menos beneficiadas con las políticas gubernamentales ya que no tienen un sueldo ni un trabajo fijo y eso automáticamente los excluye de obtener un servicio tan básico como lo es la salud.
Curiosamente, el gobierno sólo destina el 8% del PIB para proyectos sociales debajo del promedio latinoamericano de 13%, al que, como mínimo, debe aspirar el país.
Los invito, al igual que lo hice en el pasado, a descubrir e indagar las injusticias y la poca importancia que se le otorga no sólo a la problemática de vivienda sino a derechos tan fundamentales como la salud, la educación, trabajo, etc.

Alejandro Calderón “Pizus”
Coordinador del Catastro de El Salvador


Un antes y un después en nuestra institución

Octubre 15, 2008

El fin de semana pasado más de 1500 jóvenes de 14 países de América Latina nos reunimos en el 4º Encuentro Latinoamericano de Un Techo para mi País. A lo largo de 5 días tuvimos la posibilidad de revivir el impacto de nuestro trabajo a través de la construcción de 150 viviendas de emergencia en 4 barrios marginales de la ciudad de Buenos Aires.

Además de la potencia de las emociones vividas a lo largo de la construcción, de las miles de conversaciones que se desarrollaron a la luz de los foros y seminarios, queda la convicción profunda de reconocernos parte de un continente muy distinto al que habíamos conocido: hoy sabemos y denunciamos que Latinoamérica no es un continente pobre, es injusto. 200 millones de personas en situación de pobreza representan la verdadera riqueza de nuestro pueblo, que desde su esperanza, alegría y cariño ponen gratuitamente sus manos junto a las nuestras para construir un futuro que nos pertenezca a todos. Esa es la verdadera riqueza que durante siglos se nos ha escondido, y que tenemos la suerte de experimentar semana a semana gracias a nuestro trabajo.

Es primera vez desde el nacimiento de UTPMP como una organización latinoamericana que tenemos la posibilidad de encontrarnos, los cientos de voluntarios que trabajamos repartidos por los asentamientos marginales de nuestro continente, para conocernos, compartir experiencias y levantar juntos la voz en nuestro intento por mostrar la Latinoamérica que hemos conocido gracias a nuestro trabajo, dando a conocer la verdadera riqueza de nuestro pueblo que muy pocas personas están dispuestas a reconocer.

Sin duda este Encuentro marcará un antes y un después en nuestra institución. La esencia de este proyecto desde hoy se vive más latente que nunca, y vemos nítidamente que somos miles, que no estamos solos, los que respondemos a los cuestionamientos fundamentales que plantea UTPMP: una interpelación personal profunda a sus voluntarios, permitiendo que las familias de los barrios marginados nos remuevan y cambien nuestras vidas; el encuentro fecundo que se produce al trabajar junto a personas que no han tenido las mismas posibilidades que nosotros, confiados en que sus habilidades y su aporte son fundamentales para el desarrollo de nuestro continente; y la convicción de que no podemos permitir que las injusticias que hemos conocido se perpetúen, siendo la motivación viva de nuestra acción y nuestra denuncia.

El impacto de UTPMP hoy alcanza esferas que son muy difíciles de imaginar. Estamos acá para cambiar el mundo, y sin ninguna duda este grupo de jóvenes locos y soñadores tendrá un rol fundamental en la construcción de una Latinoamérica más justa, donde los sueños de cada uno de sus habitantes tengan espacio para florecer. Nuestro objetivo no es nada menos que terminar con la pobreza y la exclusión de nuestro continente. Debemos demostrarle a nuestros hermanos latinoamericanos que eso sí es posible, y que nuestras manos y nuestras energías están dispuestas a dejarlo todo para lograrlo.

Claudio Castro Salas
Director Social
Un Techo para mi País


Identidade x Desigualdade no Brasil

Agosto 18, 2008

Ás vésperas do Encontro Latino-americano resolvi propor para a equipe UTPMP Brasil uma discussão que muito se assemelha ao tema do encontro, tendo, no entanto, a problemática aplicada ao Brasil. Com alguns textos base, propus uma discussão acerca do que seria uma identidade brasileira. Como é entendida essa suposta identidade que a principio é vista como “identidade ideológica ou cultural” mas que é posta em dúvida quando levados em conta aspectos materiais de nossa sociedade? A intenção era refletir, como proposto pelo tema do encontro, que por trás da imagem exposta internacionalmente de um país alegre e festivo, há o Brasil que passamos a conhecer nas favelas onde construímos.

Não é necessário ir às favelas brasileiras como fazem os voluntários UTPMP – Brasil para sentir o quanto a pobreza e as desigualdades existem e estão presentes no nosso dia a dia. Andando na Avenida Paulista que é a avenida mais famosa de São Paulo, considerado um centro financeiro e cultural, podemos ver ostensivos prédios onde estão as sedes de algumas das principais empresas ao lado de inúmeras pessoas pedindo dinheiro nas ruas e expondo seu estado de vulnerabilidade. O retrato da pobreza brasileira é a desigualdade. Uma desigualdade que cresce a cada dia e tristemente se torna natural aos olhos dos brasileiros.

Para dar exemplos da má distribuição de renda no Brasil, segundo dados do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgados no ano passado, o Brasil fica atrás apenas de países muito pobres do continente africano, como Namíbia, Lesoto e Serra Leoa, em relação à concentração de renda. Enquanto os 10% mais ricos no país ficam com 46,7% da renda, os 10% mais pobres se sustentam com apenas 0,5%.

Há ainda a desigualdade regional, uma das maiores contradições do país, quando vemos que nas regiões Sul e Sudeste é que se concentra a maior parte da renda, restando muito pouco para o Nordeste. Só a cidade de São Paulo concentra mais de 30% do PIB de todo o país e mesmo assim, dados mostram que 1 em cada 4 paulistanos vive em favelas.

Tanta desigualdade material nos faz questionar o verdadeiro sentido de uma identidade ideológica e cultural que seja nacional. Me lembro sempre do que disse um voluntário brasileiro ao voltar das construções no Chile a respeito da família para quem esteve construindo. Ele disse que a única coisa que diferenciava essa família chilena das famílias para quem ele construiu no Brasil era o idioma. Então talvez caiba aqui pensar em uma frase sempre recorrente no Teto “Que a pobreza nos una”.

A desigualdade acentua a percepção de uma sociedade de classes e isso gera duas carências principais. A primeira é a falta de consciência societária. Mesmo quando percebemos o quanto a pobreza e a desigualdade social se manifesta em nosso dia-a-dia por meio da violência e criminalidade urbana, há um certo comodismo e mesmo apatia em reverter esse quadro, pois as pessoas já se mostram acostumadas a conviver num contexto que já está  banalizado. Essa apatia se torna muito mais nítida quando há falhas em instituições que existem para defender um interesse nacional e isso gera o individualismo.

Isso acaba por nos levar a uma segunda carência: faltam idealismos para se pensar em conjunto em um projeto nacional e não mais de classes. Frei Betto, sociólogo brasileiro em um famoso artigo intitulado “É proibido Sonhar” apresenta muito bem essa falta de idealismos quando diz que antigamente os jovens sonharam com a mudança do Brasil e do mundo e hoje já não são mais capazes de sonhar em escala nacional ou planetária. Sonham simplesmente em escala individual ou familiar.

Além de toda a diversidade cultural presente em nosso amplo território, para se pensar em uma identidade nacional, é preciso pensar também em termos materiais e isso significa pensar em um projeto de desenvolvimento nacional que reduza as desigualdades de renda e a pobreza. Para isso é necessário resgatar a consciência societária e busca a participação de todos. Estado e sociedade não se contrapõem quando as relações estão assentadas no terreno firme da democracia e no compromisso comum com a construção da pátria.

Aí reside um dos principais desafios do nosso tempo: reconstruir as relações do Estado com a sociedade a partir de um novo paradigma que permita recuperar o Estado do Bem-Estar Social. É o desafio de construir um Estado onde a proteção dos pobres seja marcada e orientada pelo princípio da emancipação, de modo que seus cidadãos se sintam partes de um projeto nacional, com efetivos espaços de participação social e compartilhamento de responsabilidades.

Uliane Appolinario
Voluntaria
Um Teto para meu País – Brasil

Columna de OpiniónA través de este espacio buscamos acercarnos a la realidad de los países donde se encuentra UTPMP, tocando temas relevantes para los contextos donde los distintos equipos desarrollan su trabajo. El texto publicado no necesariamente representan la opinión de todos los que trabajamos en esta institución.